quarta-feira, 13 de julho de 2011

O pior de três mundos

Passos Coelho prometeu não se queixar da herança de Sócrates. Violou essa promessa quando apresentou o Programa de Governo para justificar o famoso imposto extraordinário. Voltou a violar essa promessa ao referir-se nos órgãos do PSD e, portanto, nos meios de comunicação social, a um desvio colossal. É mau.

Pior ainda é que não dar quaisquer números e não explicar onde está o suposto desvio. Com o seu silêncio consegue descredibilizar as nossas contas públicas e fragilizar Portugal, contribuindo para a baixa do nosso rating e para o aumento dos nossos juros. Ah, é verdade, consegue também impossibilitar o PS de se defender... É péssimo.

Mas, muito pior, é não explicar como vai tentar combater o tal défice colossal. Continua sem explicar o imposto extraordinário. Continua sem apresentar outras medidas para aumentar receita ou diminuir despesa. E, sobretudo, continua sem apresentar uma medida que seja para promover o relançamento da nossa economia. Isso é gravíssimo.

Uma bela autarquia Socialista

Por falar em nomeações, por Loures temos, por enquanto:

A Mulher, a Filha, dois Cunhados e a (futura) Nora.

E como se nada fosse o "nomeador" ainda diz:

 "Admito que possa parecer mal mas não me pesa na consciência"

Lição do debate de hoje

O PS não aprendeu nada com os (seus) erros de seis anos de governação.

Não Percebo

Estive a ver parte do debate entre Assis e Seguro na SIC Noticias.

Agora leio aqui, o que também me pareceu, ou seja, que  "António José Seguro adoptou uma postura de candidato a Primeiro-Ministro"

Mas afinal o debate de hoje era entre candidatos ao cargo de Primeiro Ministro ou a líder do PS?

É que, se não estou enganado, julgo que houve eleições legislativas há menos de um mês e julgo, também, que o PS perdeu!

Como é que era? Ah pois: asfixia democrática!

Estando todos os grupos de comunicação alinhados com o Governo PPD/PP, depois das transferências da SIC e do Diário de Notícias para o Governo, a primeira nomeação de Passos Coelho é do director da Lusa...

Seguro e Assis, o debate

Ana Lourenço, que costuma ser uma boa moderadora de debates, não conseguiu disfarçar a sua preferência por Assis o que condicionou a sua condução do debate, amparando Assis e fazendo o contrário a Seguro, como por exemplo o momento em que pede a Seguro para indicar o que o separa de Assis e a Assis o que o separa de Passos Coelho.

Francisco Assis procurou demarcar-se do facto de ter sido indigitado por José Sócrates como o seu sucessor, procurando sublinhar a sua proposta de abertura a não militantes do processo de escolha dos candidatos socialistas às eleições autárquicas. Tentou além do mais – de uma forma até inusitada – hostilizar António José Seguro.

António José Seguro adoptou uma postura de candidato a Primeiro-Ministro, falando para todos os portugueses e sublinhando as suas ideias de Europa. Para os militantes do Partido Socialista, António José Seguro conseguiu vincar o facto de que conta com todos no debate e selecção de propostas, voltando de novo a envergar a bandeira do Laboratório de Ideias.

Em minha opinião a candidatura de António José Seguro saiu mais reforçada deste debate, tanto por ter conseguido apresentar, desde já, alternativas à governação de Passos Coelho, como por ter conseguido cativar os militantes ao reforçar a sua confiança nas suas propostas e no seu trabalho.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Oregon Expat

Aqui um afagozinho ao nosso ego - andamos precisados.
De onde veio este há muitos mais. E mesmo sem os olhares benevolentes a visita ao blogue não é um desperdício de tempo - eu acho.

Nova atracção turística "à Paris"

Este fim de semana estive com a família em Paris.

Paris - cidade luz - fez jus ao seu esplendor monumental nas visitas que fizémos às "capelinhas" da praxe, como sejam: a Ópera Garnier, a Madeleine, o quartier do Louvre, a Place de La Concorde, o Arco do Triunfo e, claro, a Torre Eiffel.

A caminho da Notre Dame, enquanto esperávamos obedientemente pela luz verde de um sémaphore, deparámo-nos com uma nova atracção que os guias turísticos ainda não incorporam: "José Sócrates, a ler na esplanada de un café".
Oh lala, c'était vraiment lui!


PS- uma nota à margem para dizer que me impressionou muito a quantidade de sem abrigo que encontrámos, numa miséria demasiado contrastante com a opulência dos que passeiam pela Place Vêndome ou Boulevard Saint Honoré...

Justificações com perna curta


Ora, tendo em conta que a almofada não integrará ainda o confisco de 50% do subsídio de Natal (porque só agora é que está a ser estudado), esta notícia demonstra que o Governo PPD/PP foi económico com a verdade ao falar de uma derrapagem escondida como justificação de mais medidas de choque...

O Costa Que Não Faz Falta

De vez em quando, quando se fala de corrupção e se referem os serviços públicos onde ela está mais enraizada, vêm à baila as Câmaras Municipais.

A Câmara de Lisboa é a maior do País. E seria estranhável que ela estivesse isenta daquela pecha tão nossa.

Pois bem, o Senhor Presidente imaginou agora uma solução verdadeiramente revolucionária para resolver não este problema mas o das garrafas de vidro na rua: encerram-se os estabelecimentos que as vendem.

É bem visto. Aguardamos o encerramento da Câmara Municipal.

Funcionamento das eurobonds

Original aqui e visto aqui

Os alçapões da História

Ana Sá Lopes ensaia aqui uma atraente comparação entre a Europa actual e a dos escombros do fim da II Guerra - as comparações históricas são quase sempre estimulantes.

Havia então uma estratégia para a reconstrução. Agora não há - Ana não diz mas os Estados Unidos, aparentemente, nem sequer têm recursos para deitar a mão a si próprios. Supõe-se que o Pai dos Pobres deve encarnar na Alemanha - a História gosta de brincar connosco.

A mim quer-me parecer que não tem sido por falta de despesa pública (presumo que "um plano" é isso que quer dizer) que a Europa aterrou no conundrum em que está. Porque os níveis impressionantes de despesa pública e de défices orçamentais (ver mapa acima, despudoradamente roubado daqui) legitimam a pergunta: se alguma solução pudesse vir de acréscimos de despesa pública onde, exactamente onde, é que está o limite?

Já agora, não haverá aqui alguma indicação de que há uma correlação (ia escrever causalidade) entre dívida pública baixa e economia robusta?

Eleições no PS

As próximas eleições do Partido Socialista são muito relevantes.

Há dois candidatos. Todos reconhecem a sua seriedade. Todos reconhecem a sua experiência. Todos reconhecem a sua capacidade de liderança. Todos reconhecem o sentido de responsabilidade. Eu compreendo que isso seja estranho para o PSD e o CDS... que, infelizmente, têm tido muitos candidatos à liderança que não têm esse perfil.

A campanha está a decorrer com respeito mútuo e elevação. Eu compreendo que isso também seja estranho para o PSD e o CDS... Basta lembrar as frases acintosas trocadas entre Santana, Passos e Ferreira Leite, os efeitos que isso teve na (falta de) coesão do partido e a consequente indisponibilidade de Ferreira Leite para integrar as listas para perceber as diferenças...

Ainda para mais, a campanha está a demonstrar as diferenças entre os candidatos. Eu compreendo que também isso seja estranho para o PSD e o CDS, onde as campanhas são disputas agressivas entre pessoas sem que fiquemos a conhecer o pensamento político seja de quem for.

Não creio, sinceramente, que um seja o candidato do aparelho e o outro não. Ambos têm excelentes relações com os militantes.

Também não creio que um queira manter a actual organização do partido e o outro alterá-la profundamente. Têm é projectos diferentes. Assis quer dar maior protagonismo a meros simpatizantes do partido, possibilitando-lhes participar na escolha do secretário-geral do PS. Seguro quer criar o Laboratório de Ideias, retomar a Universidade de Verão, alterar a estrutura interna do partido e atrair para o mesmo os melhores de cada geração. Essa é apenas uma diferença entre ambos os candidatos, mas uma diferença importante...

Assis ou Seguro?

Se dúvidas houver, percam 4 minutos para ouvir análise - brilhante - de Miguel Sousa Tavares no Jornal da Noite da SIC.

Os Próximos anos de Seguro

Meu Caro António,

Não querendo entrar em diálogo, para isso servem as caixas de comentários de cada post, não posso, contudo, deixa de pela mesma via, à luz do princípio da igualdade de armas responder.

Quantas vezes em congresso, Seguro desafiou Sócrates?

Quantas vezes em reuniões do Partido Seguro contradisse Sócrates?

Se criticava Sócrates, porque aceitou fazer parte da sua Comissão Política Nacional?

A relação de Seguro com o Aparelho do PS pode ser lida aqui

Mas a melhor resposta a tudo isto, vai ser, quando e se Seguro for eleito líder do PS, como espero que o seja, como será composta a sua lista?

Como serão os seus assessores?

E os conselheiros?

ai é que vamos realmente saber se existirá mudança no PS ou se será a continuidade, como até agora julgo que será.

A pergunta que se deve fazer, não é quem foi, mas quem será Antonio José Seguro e como serão os seus próximos anos?

Abraço

João

News of the world

Em Inglaterra, um conhecido grupo de comunicação social privado espiou políticos, fez escutas ilegais e roubou informações confidenciais.

É gravíssimo.

E, ainda por cima, nas últimas eleições, foi por demais evidente que esse grupo de comunicação social apoiava o Partido Conservador. Aliás, o porta-voz de David Cameron foi membro da direcção do News of the World...

Há que regular muito bem as ligações entre os meios de comunicação social... e os partidos políticos.

Porque estas coisas acontecem, e para assegurar o pluralismo, não será melhor ter meios de comunicação social privados e meios de comunicação social públicos em sã concorrência?

O IGAS existe

A interrupção voluntária da gravidez é traumática. E um direito. Um direito que, ao contrário do que se diz, não foi conquistado pelas mulheres, mas por partidos políticos. Partidos políticos interessados no contentamento do seu eleitorado. E desinteressados pelas mulheres, pela natalidade que lhes é intrínseca, e – arrisco - pela Biologia, Psicologia, Direito e Moral.

O aborto não é uma conquista, não se festeja. A sua legalização não foi motivo de contentamento. Por detrás do acenar de bandeiras da esquerda estavam mulheres objecto no processo político de legalização do aborto. Fragilizadas pelas dificuldades sociais, psicológicas e económicas.

A Interrupção voluntária da gravidez é fruto do imediatismo político, legislativo e social. É proibido ponderar, reflectir. A sociedade tropeça em si mesma. E cai no ridículo.

O IGAS, Inspecção Geral das Actividades em Saúde recomenda que objectos alusivos à infância ou do foro religioso sejam removidos dos gabinetes médicos e de apoio psicológico e social onde é prestado atendimento a estas utentes.

Porque, no processo de interrupção voluntária da gravidez, o que realmente traumatiza a mulher abortiva é a existência de um peluche ou uma imagem de Nossa Senhora no consultório do médico ou psicólogo.

Prefiro quando o IGAS recomenda práticas com vista à eliminação das listas de espera e adopção de boas práticas médicas. Dá-nos mais jeito.

Deixem o Santo Anselmo em paz!

Para os neoliberais a obsolescência do Estado Social demonstra-se pelo facto de o repetirem à exaustão.

Santo Anselmo foi o criador do famoso argumento ontológico

Para memória futura

Não nos esqueçamos que o PSD aposta no regresso de Portugal aos mercados em 2012. E que a Moody's aposta que isso não vai acontecer.

Não nos esqueçamos que o PSD decidiu ir para além do acordo com a Troika no que se refere à política de austeridade para que esse regresso antecipado seja possível.

Não nos esqueçamos também que o nosso rating está a descer, os nossos juros estão a aumentar, a nossa bolsa desvaloriza e a nossa crise adensa-se.

Finalmente, não nos esqueçamos que até os economistas e políticos de direita já perceberam que o nosso rating e os nossos juros e a consequente possibilidade de regresso aos mercados em 2012 ou 2013 depende da contra-ofensiva europeia e não de nós.

Dentro de 1 ano e pouco saberemos quem ganhou a aposta, o PSD ou a Moody's.

Eu espero sinceramente que seja o PSD porque isso seria positivo para Portugal.

Mas, infelizmente, julgo que não é isso que vai acontecer e parece-me evidente que a população vai perder toda a confiança neste Governo quando perceber que lhe estão a ser pedidos diversos sacrifícios pesados e absolutamente inúteis.

Até daqui a 1 ano.

Uma medida... por favor!

Não seria bem o Governo anunciar uma medida - uma medida que fosse - no sentido de promover o relançamento da nossa economia?

Não o fez no Parlamento quando apresentou o seu Programa, tendo preferido apresentar um imposto extraordinário inconstitucional e que não estava e não está ainda delineado.

Não o fez entretanto... não se sabe porquê.

Mas é imperioso que tais medidas sejam anunaciadas e tomadas quanto antes, para minorarmos os efeitos da recessão e sairmos da mesma o mais rapidamente possível.

Ainda vou a tempo de shortar a Moody's? (II)

Bolas! E não é que ainda ia mesmo a tempo?...
Moody's perde 3,81% em bolsa.

Os últimos 6 anos de Seguro

Caro João Gouveia,

Nos últimos 6 anos, Seguro não esteve em silêncio. Falou e disse o que pensava. Fê-lo no interior do Partido Socialista sem peias.

Nos últimos 6 anos, Seguro também não teve medo de estar sozinho. Como quando votou contra a lei de financiamento dos partidos...

Nos últimos 6 anos, Seguro desenvolveu importante actividade parlamentar e política.

Portanto... não vale a pena acusá-lo de nada ter feito durante este período... Já Passos Coelho... gostava de saber qual a sua intervenção política nos últimos 10 anos antes de se candidatar à liderança do PSD...

Com um abraço do


António

Perder o horror à impressão de nota-moeda

Face ao soar de alarmes da dívida soberana italiana, Merkel responde com a mesma receita: o euro está forte, os países com problemas de dívida necessitam de equilibrar as suas contas, com austeridade.
Bem sei que não é possível seguir, sempre, medidas expansionistas. Sei bem que os Estados que acumulam deficit têm de reduzir gastos supérfluos.

Mas a receita "austeridade" é insuficiente, como se vê bem no caso da Grécia: o aumento da taxa de impostos já gera mais déficit (porque a sociedade grega saturou). 
 
A Alemanha, a par de exigir reformas estruturais nos países mais endividados, terá de perder o horror à impressão de papel-moeda ou à emissão de eurobonds. 
                                                            De outro modo, perdemos todos, alemães incluídos.


segunda-feira, 11 de julho de 2011

Seguro, o Pro activo

Faz o que eu digo, não faças o que eu faço, podia ser este o lema de de António José Seguro.

AJS teve seis anos, durante o consulado de José Sócrates, calado sem emitir opinião, sem criticar o líder e vem agora dizer que Passos Coelho deve ser mais activo.

Numa coisa Seguro tem razão, os socialistas sempre foram muito activos, pelo menos em afundar o País.

Guerra económica e o Momento Chamberlain da UE

Com a estreia da Itália no clube da bancarrota, com 22% de probabilidade de falência, a guerra económica ao Euro e ao que resta do Estado Social começa a penetrar no círculo dos grandes Estados-membros da UE.

E como reage a Alemanha, actual farol da política monetarista europeia? Ao estilo de Neville Chamberlain, o tristemente célebre PM britânico que firmou um acordo com Hitler e proclamou a paz, levando a sério a palavra do líder nazi. Isto quando todas as evidências apontavam para o contrário.

Pois bem, Merkel diz que acredita no governo italiano, que resolverá todos os problemas com austeridade, «chutando» para a frente as decisões difíceis, enquanto vocifera indignações estéreis contra às agências de rating.

Pois bem, quem vivesse no tempo de Chamberlain e estivesse bem informado, certamente especularia que uma II Guerra Mundial iria eclodir a qualquer momento, pois a palavra de Hitler não era para levar a sério.

E é isso que as agências de rating sabem - as palavras de Merkel e da restante liderança europeia são como o acordo de Chamberlain: vazias, porque não são solução viável.

Gestão Hospitalar

Antes de Abril de 1974 alguns hospitais estavam entregues à gestão das Misericórdias.

A partir de Abril de 1974 os hospitais passaram a ser geridos pelo Estado que pagava uma renda às Misericórdias.

Agora chegaram à conclusão que os hospitais podem passar a ser geridos pelas Misericórdias, ou seja, que o Estado poupará dinheiro se entregar essa gestão ao sector social.

Não sendo um especialista nesta matéria e pelo que tenho lido, julgo que pode ser uma medida a considerar ser posta em prática e se funcionava antes de 1974 é provável que agora  também funcione.

A ver vamos!

Para já devolvam-se às Misericórdias a gestão dos hospitais como por exemplo o de Serpa, pelo menos poupam-se as rendas.

Novo Senador

Ruben Eiras, 34 anos de idade, natural do Funchal, Ilha da Madeira, é há 16 anos um lisboeta assumido. Sociólogo de formação, percorri intensamente os caminhos do jornalismo como freelancer pelo Expresso, Executive Digest, Ideias & Negócios, aprendendo o métier nas oficinas das redacções.

Depois de uma breve passagem para o outro lado da barricada dos media como assessor de imprensa, mudei de vida e recomecei uma nova carreira na área de inovação e sustentabilidade no mundo da energia, como técnico especializado na Galp Energia.

Aceitei o novo desafio profissional com um novo desafio intelectual: o mestrado executivo em Sistemas Sustentáveis de Energia do MIT-Portugal, mergulhando no admirável mundo novo da engenharia e economia da energia. Embalado pela sede de conhecimento, prossegui para doutoramento para aprofundar os conhecimentos em política de segurança energética numa base de cooperação estratégica entre Portugal e Brasil.

Defendo uma transformação estrutural da sociedade e da economia por via de mudança do paradigma energético, tendo por base uma estratégia de prosperidade sustentável com base na industrialização e da economia verde.

Militante do PS, defendo uma via de esquerda democrática para a política, com um regresso à verdadeira raiz da social-democracia europeia, a ideologia na qual se cimentou uma das maiores ideias da humanidade: a pax europeia assente na solidariedade, numa economia em que a prioridade são as pessoas.

Conversa fortemente de marketing

A SicNotícias, minha estação preferida, de vez em quando enche chouriços. Mas não lhes chama chouriços - chama-lhes Imagens de Marca, Falar Global ou Golfe Não Sei Quê. Suponho que sejam nichos - nichos de chouriços, portanto.

Há minutos fiquei a saber através de uma destas carnes frias que a Vodafone está numa trajectória aspiracional. Eu já não aspiro a nada - mas suspiro.

Ainda sobre o já tristemente célebre imposto extraordinário...

De acordo com os cálculos do Governo, o imposto extraordinário permite arrecadar mais 800 milhões de euros.

Gostaria de saber se esses cálculos têm em conta a diminuição do consumo e a consequente diminuição da receita do IVA. Se a Confederação do Comércio estiver certa e tal medida conduzir a uma diminuição do consumo na ordem dos 500 milhões de euros, o IVA sofrerá uma quebra de sensivelmente 100 milhões. O Governo teve-o em conta?

Gostaria de saber se o Governo teve em conta a possibilidade de muitos consumidores retraírem ainda mais os seus hábitos de consumo, haver uma nova quebra da actividade económica e inerente corte da receita fiscal. Se tiver tido em conta tal possibilidade, em quanto estima essa diminuição? Se houver uma diminuição de 5% da receita de IVA em 2012...

Gostaria de saber se os cálculos têm também em conta o impacto desta medida no IRC. Vendendo menos, as empresas geram menos receita e vão pagar menos impostos. Quanto é que o Governo estima perder em IRC?

Gostaria de saber se os cálculos têm em conta o número de empresas que vão fechar em sectores como o dos brinquedos ou o das bebida espirituosas ou ainda o dos electrodomésticos e dos produtos electrónicos e se têm em conta o desemprego que vão causar? O Governo calculou a diminuição das receitas de IRC, IRS e Segurança Social que isso implica? E calculou o acréscimo do subsídio de desemprego e de outras prestações sociais?

Enfim, gostaria de saber se, para além de inconstitucional e mal explicado, o imposto extraordinário vai mesmo permitir um encaixe de 800 milhões de euros. Algo me diz que não... mas reservo a minha opinião definitiva para um momento posterior ao da prestação dos esclarecimentos... porque eles vão ter de chegar!

Indefinição

A Europa precisa desesperadamente de por termo à indefinição em que vive. Se não encontrar uma resposta comum para a crise da dívida soberana nas próximas semanas, vai soçobrar. No todo, provavelmente, em parte, pelo menos. Mas com um preço elevadíssimo para todos os Europeus.

Esperemos que Sarkozy, Merkel e outros políticos conservadores que têm estado à frente dos nossos destinos não percam (mais) esta oportunidade de evitar o colapso na economia europeia.

Podiam ter evitado a crise grega, acabando com a indefinição sobre o nosso empenhamento na ajuda à Grécia há um ano atrás. Não o fizeram, deixando a crise nascer e instalar-se.

Podiam ter evitado a crise portuguesa, financiando o nosso País, mas dando-lhe margem e instrumentos para fazer crescer a sua economia.

Agora que estão em causa a Espanha, a Bélgica e a Itália... que vão fazer?

A Moody's foi Abaixo...


A mensagem era simples:

Já todos sabemos que o nosso Portugal está a ser alvo da Moody’s, sem reais avaliações e desrespeitando o esforço que os portugueses estão a fazer para ultrapassar este bocado!

A ideia ainda mais simples:

Comecemos pela internet... Um servidor web tem uma capacidade máxima de resposta. Raro é um servidor web que suporta mais de 3000 conexões em simultâneo!

Posto isto, vamos provocar o que tecnicamente se chama de "Distributed Denial of Service (DDos)". Consiste numa simultânea conexão ao site da moodys de vários milhares de computadores. Isso provocará um bloqueio na resposta do servidor, deixando de ter capacidade para responder. Geralmente bloqueia o servidor web e muitas vezes obriga a um reinicio do sistema todo.

Agora imaginem provocar uma inoperabilidade dos servidor web durante as horas de abertura da bolsa de nova iorque... em que a web, o e-mail e outras ferramentas asseguradas pelo servidor web são importantes!

Já sabem... a cada hora em ponto, entre as 15h00 (10am em NY) e as 21h00 (4pm em NY) vamos visitar o website da moodys e actualizá-lo inúmeras vezes durante uns minutos!!


E às 17h00 o site foi abaixo...

As PME's

O défice da balança comercial de Portugal melhorou em 9,4 milhões de euros entre Março e Maio, mostra um relatório do INE.

Não fui lá ver para desagregar, que eu gosto muito de dar palpites e pouco de estudar.

Mas aposto que o trabalho é dessa escumalha dos pequenos e médios empresários, uma gente notória pela evasão fiscal, brutal défice de formação e duvidosas credenciais democráticas - gente que não sabe nada de Finanças nem consta que tenha biblioteca.

E se os depósitos portugueses fossem utilizados para financiar a dívida?

Caso uma percentagem elevada dos depósitos existentes nos bancos portugueses fosse aplicada na aquisição de “novos títulos” do tesouro (nas condições aqui referidas), tal poderia resultar, por um lado, no aumento da poupança dos particulares e empresas e, por outro lado, numa redução do défice e da dívida pública.

Portanto, seria uma forma possível de reduzir a dependência dos credores externos. Todavia, a utilização desse tipo de estratégia levanta problemas ao sector bancário e poderia vir a ser contestada pelo BCE.

Mas é pouco provável que isso ocorresse, uma vez que o BCE não o fez em relação à Irlanda apesar do muito mais elevado financiamento concedido ao sistema bancário desse país.

Esta ideia poderia ter um efeito muito mais favorável na redução do défice e da dívida pública do que as 222 medidas do plano da troika.

Pergunta tonta, mas nada inocente... (II) "Dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus"

A questão é sem dúvida acintosa e divertida. Principalmente quando interpretada a contrario. Não é, no entanto, susceptível de reflexão séria.

Se por um lado a religião é um elemento caracterizador de um povo e invariavelmente de um Estado. Por outro, para o desempenho económico e social de um país concorrem variados factores, extensamente explicados, p.e., no livro A Riqueza e a Pobreza das Nações. Como a geografia, meteorologia e até a geologia. Citando alguns.

Mas mesmo que, erradamente, individualizássemos o elemento religião. Também não poderíamos chegar, com rigor a essa conclusão. Isto porque o grupo populacional que se considera Apostólico Romano em França, Alemanha, Polónia e Holanda, é, respectivamente de 89, 34, 89 e 30 por cento. Sendo em todos estes casos o grupo em maior número.

A questão deveria ser porque estão, na zona euro, os países mediterrânicos a sofrer downgrades? Porque, para além de todos os circunstancialismos que nos ensina aquele livro, são países com forte natureza social.

E comprovadamente, os Socialistas portugueses, gregos e espanhóis não compreenderam a distinção entre Estado de Assistência Social - Um Estado que auxilia em situações pontuais e imprevisíveis. De um Estado Social Permanente – Baseado no subsidio como regra e sem fiscalização. Permitindo injustiças e a falência do sistema.

Se destes Estados se exige um rigoroso controlo orçamental, pelas despesas em que incorrem. Certo é que, pelo contrário, aumentaram a despesa e o endividamento externo, crentes, talvez, num plafound infinito.

Puseram-se a jeito. Sofreram downgrades.

Agora, o Estado Social está falido. E logo no momento em que os seus cidadãos mais precisavam.

Resta-nos a Igreja e as demais comunidades religiosas, que nos limites das suas capacidades – veja-se a Dioceses de Setúbal - prestam assistência social às populações. E sem cobrar impostos.

Mc 12, 13-17
Em seguida, enviaram-lhe alguns fariseus e partidários de Herodes, a fim de o apanharem em alguma palavra. Aproximando-se, disseram-lhe: «Mestre, sabemos que és sincero, que não te deixas influenciar por ninguém, porque não olhas à condição das pessoas mas ensinas o caminho de Deus, segundo a verdade. Diz-nos, pois: é lícito ou não pagar tributo a César? Devemos pagar ou não?» Jesus, conhecendo-lhes a hipocrisia, respondeu: «Porque me tentais? Trazei-me um denário para Eu ver.» Trouxeram-lho e Ele perguntou: «De quem é esta imagem e a inscrição?» Responderam: «De César.» Jesus disse: «Dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus.» E ficaram admirados com Ele.

Fasten your seat belts, please.

Tirado daqui.

Os Nossos Velhos

João César das Neves, um notório monstro de egoísmo, quer aqui baixar as exigências regulamentares dos lares para a terceira idade, no pressuposto economicista de que, sendo os recursos finitos e havendo mais indigentes para alojar do que alojamentos disponíveis, o irrealismo nas exigências tem efeitos contraproducentes - o hotel de 3 estrelas de uns implica o hotel de uma estrela (a Polar) de outros.

Ana Matos Pires indigna-se, virtuosamente; e quer inquirir onde vivem os velhinhos da família do senhor.

Não conheço estas personagens ilustres do espaço público, e menos ainda as famílias respectivas. Mas não me parece um salto lógico abusivo imaginar que os velhinhos da família Neves vivem das economias que amealharam, e da ajuda dos familiares; e os da família Pires de ajudas públicas.

Estou, provavelmente, a ser injusto - a lógica tem destas coisas.

Pergunta tonta, mas nada inocente...

Por que não há, na zona euro, países protestantes a sofrer downgrades?

domingo, 10 de julho de 2011

Sair ou não sair, eis a questão

A gente está habituada à clivagem direita/esquerda. E, sabendo embora que nem tudo tem uma dimensão política que permita divisar com nitidez qual é o nosso campo, poderíamos pensar que em questões estritamente políticas se tem forçosamente que estar de um lado, do outro, ou instavelmente no meio.
Engano: Este assunto tem potencial para rasgar as pertenças, as crenças e as fidelidades; o texto parece-se muito com um manifesto. E, se fosse, não hesitaria em assiná-lo.

Imposto extraordinário

Foi anunciado. Foram prometidas explicações imediatas. E, de facto, justificavam-se. Mas, até agora, nada...

Três questões sobre as agências de rating

Para os partidários da teoria da conspiração: Porque é que a Standard & Poor's manteve o nosso rating?

Para os políticos de direita: Porque é que subitamente mudaram de opinião sobre essas mesmas agências?

Para os banqueiros: Depois de terem dito tão mal sobre as agências de rating, vão deixar de comercializar produtos financeiros classificados pelas mesmas, não vão?

O Bloco de Esquerda

O Bloco de Esquerda cresceu por dois motivos.

Cresceu porque defendeu a agenda fracturante e conseguiu congregar as atenções da comunicação social.

Cresceu porque soube lutar pelos votos dos nossos concidadãos de esquerda que estavam descontentes com o desempenho do Partido Socialista.

Mas a agenda fracturante já se encontra cumprida e não se crê que o PSD volte a criminalizar o aborto, reveja profundamente o regime da união de facto... E o Partido Socialista está na oposição e vai procurar os votos dos eleitores insatisfeitos com o Governo.

Por isso, os resultados das próximas eleições podem ser uma surpresa ainda maior para o Bloco...

Crise da dívida soberana: o fim do princípio?

Os rumores de que um grande banco italiano falhou os "stress tests" e o aumento que se verificou da taxa de juro da dívida italiana fizeram soar alertas e são um motivo de preocupação.


Não quero acreditar que seja o princípio do fim. Pelo contrário,  relembro que há males que vêm por  bem.

Pode bem ser que este evento marque o fim do princípio que ficou marcado pela dificuldade de reacção dos líderes europeus numa lógica de bloco político e económico.

A Não-reforma do Estado

A ANAFRE, pela voz deste Senhor, não tem nada contra a agregação de freguesias. Agora, extinção é que não. E critérios economicistas, credo!, nem pensar.
Já estes acham que o Estado tem sido um desastre, mas as autarquias, elas, são exemplares. E, é claro, "... é voz unânime que a redução está fora de causa".

Isto vai ser o Diabo.

sábado, 9 de julho de 2011

A Torre de Babel

A quase unanimidade do País oficial, da imprensa, dos cafés e da Oposição, sobre o odioso da classificação como lixo da nossa dívida, não encontra eco na blogosfera de referência. Vejam-se, entre outros, Gabriel Silva, Tiago Moreira Ramalho, Carlos do Carmo Carapinha, Luís Meneses Leitão e Carlos Pereira da Cruz , já para não ir para os lados do Insurgente e do Portugal Contemporâneo - o embaraço é da escolha.

Um paisano como eu fica perturbado:

As agências de rating vivem de ajudar os seus clientes a não cometer erros, como será o caso ao investirem em dívida que provàvelmente não vai ser paga, ou não vai ser paga nos prazos de vencimento.

As agências de rating vivem de ajudar os seus clientes a fazerem negócios especulativos, como será o caso ao investirem em dívida que provàvelmente será paga, mas cujo pagamento depende de factores externos à performance dos devedores.

As empresas de rating influenciam positivamente a performance dos devedores, ao atribuirem-lhes ratings positivos, quer os mereçam quer não, ou negativamente, ao atribuirem-lhes ratings negativos, mesmo que se justifiquem.

Gostava de acreditar que as pessoas que produzem as análises das agências de rating são imunes aos interesses de quem lhes paga e, mais ainda, aos interesses de quem não lhes paga mas tem muito a ganhar com os ratings que dão.

Gostava. Mas a gente com a idade vai ficando céptico. Por isso, não dou para peditório nenhum. Apenas espero - sentado. E com a secreta esperança de que esta gente, que com cambiantes e diferenças é genericamente a minha gente, não tenha razão.

Sofisma

sofisma, s. m.
1. Argumento capcioso com que se pretende enganar ou fazer calar o adversário.
2. [Popular] [Popular] Engano; logro.

À Moody's

A nossa música de hoje é dedicada à Moody's e às "moody's" das nossas vidas: "Mala Vida", de Manu Chao.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Cecidit, cecidit Babylon magna*

Na SIC Notícias, Teresa Caeiro proclamou a iniquidade do sistema financeiro internacional.

*Apocalipse 18, 2

Sócrates, o funcionário público

Sabe-se que Sócrates é funcionário da Câmara Municipal da Covilhã com o lugar de Engenheiro Técnico.

O Presidente desta Câmara Municipal diz que terá novidades dentro de dias.

Queres ver que o homem desistiu de ir para Paris e vai para a Covilhã fazer casas...

Os Lusitanos

Diz o Público:

Uma oliveira bravia com 2850 anos foi identificada como a árvore mais velha do país por um grupo de investigadores da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD). Vive em Santa Iria da Azóia, concelho de Loures, e teve o guerreiro Viriato como contemporâneo.

Digo eu:

Viriato morreu em 139 a.C., ou seja, há 2150 anos. Sabe-se a data da morte, ignora-se a do nascimento. Este mistério fica agora desvendado, e a lenda de Viriato não pode senão sair reforçada: o grande guerreiro morreu com a provecta idade de 700 anos. Por aqui se vê como a raça tem degenerado - os actuais Portugueses nem sequer chegam aos 100.

Isto se fiz bem as contas - o ensino de Matemática está uma consabida desgraça e eu não sou mais que os mais.

Não era esse: era o outro! O outro!

Benfica vende Moreira ao Swansea

Portagens em Agosto na 25 de Abril

Finalmente se faz justiça na Ponte 25 de Abril.
Os veraneantes de Lisboa vão passar a pagar portagens em Agosto na Ponte 25 de Abril.
Sinceramente:
A) Durante todos os anos que usei diariamente a ponte, nunca entendi porquê que em Agosto não se pagava (cobrando em Agosto se poderia reduzir o preço das portagens)
B) Desde que se fala de introduzir portagens nas SCUTS, não entendo porquê que os veraneantes não tinham que pagar

Alegro-me de há 1 ano ter dado esta sugestão verbalmente.
Se não me falha a memória, segundo cálculos próprios esta medida renderá aos cofres do Estado apróximadamente oito milhões de euros, ou seja 80 centimos por habitante.

Para reduzir o défice, é preferivel pagar como portagem do que em mais IRS. Adicionalmente, este custo na ponte traerá um pouco mais de racionalidade económica nas viagens que se realizam na ponte, o que também se traduzirá na redução da factura energética do país e na redução da poluição que se provoca na zona.

Nota adicional: quando há portagens na ponte demora-se menos tempo a atravessar o garrafão da ponte (perfeitamente inexplicável, mas digo-o baseado na minha experiência de vários anos a cruzar a ponte diariamente)

Os Hunos

Via Balanced Scorecard, tive conhecimento deste postal, que conta uma história surreal.

Não resisto a transcrever a primeira peça da história, que reza assim:

Era uma vez uma doutora que enviou para toda a universidade o seguinte email:

"Boa tarde a todos,

o meu nome é xxxxxxxxxx, sou aluna de Mestrado no departamento de Biologia, e na sequência do meu trabalho de tese que consiste em desenvolver gelados funcionais (com sabores diferentes dos que estamos habituados) chegamos a um ponto onde a vossa opinião não só é importante mas indispensável!!!.

Assim gostaria de pedir a quem gosta de gelados e esta na disposição de provar e avaliar os nossos, se voluntariá-se a participar nas provas que se irão realizar nos dias:

....

os voluntários podem escolher qualquer dos dias e no horario que lhe dê mais jeito, peço no entanto que me mandem um email a confirmar qual o dia e qual a hora.

A todos muito obrigada,

Atenciosamente

xxxxxxxxxxx"

Não, sobre os gelados digo nada - admito com forçada humildade que o objecto da tese seja tão legítimo como outro qualquer. Desta espreitadela na vida da Academia não vou retirar grandes lições - a deliciosa troca de e-mails não as comporta. Porém, quem percorrer as caixas de comentários dos blogues mais populares verificará que é grande a percentagem de erros de concordância, tempos verbais e ortografia - estes últimos ainda serão o menos, em geral não afectam a compreensão do texto - que os ilustres comentadores perpetram.

Mas fica-me a suspeita de que o domínio da expressão escrita já sofreu danos irreversíveis - os Hunos tomaram conta da cidadela.

Ainda vou a tempo de shortar a Moody's?

Standard&Poor's mantém análise feita sobre Portugal
Comissão trabalha há meio ano na criação de agência de rating na Europa

Opróbrio e condescendência

Em Inglaterra, o dono de um jornal que se dedicava à realização de escutas para obter (ou construir) notícias mais sumarentas, incapaz de ultrapassar o opróbrio causado pela divulgação dessa prática, resolveu fechá-lo.
Em Portugal, todos os jornais podem realizar escutas, ou publicar o conteúdo de escutas feitas por outrem (v.g. Polícia Judiciária), sem que nenhum director se sinta minimamente incomodado.
Poder-se-ia dizer: se uma figura pública é arguida em processo-crime o público “need to know”. O problema é que o conteúdo de escutas é divulgado mesmo que o escutado não seja arguido e a conversação não constitua crime. Mesmo que a escuta não tenha sido validada. Mesmo que devesse ter sido destruída. Para muitos portugueses o único segredo sagrado é o das fontes, daí o escândalo da divulgação da conspiração do, até então acoitado na penumbra, Lima de Belém. Brandos costumes? Pois…

Teorias de conspiração

Portugal, desde que nasceu, entende de dívidas: A bula Manifestis Probatum não foi, parece, inteiramente de graça, e Alexandre III não passava atestados de realeza sem cobrar os respectivos emolumentos. As coisas funcionavam assim e a gente sensata sabe que elas quanto mais mudam mais parecem na mesma. Daí as teorias conspiratórias sobre o rating das agências.

Pinho Cardão faz aqui a folha ao suposto ataque ao Euro, e fá-la convincentemente. Mas nós vamos entrar num processo de venda das pratas da família arruinada - que remédio! - e quanto maior o descalabro menor o preço; e precisamos de dinheiro amigo para não morrer de fome enquanto não endireitarmos o barco - e é com gente desesperada que os agiotas fazem fortuna. Assim, eu peço licença para manter a porta aberta a teorias de conspiração.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Venenos e antídotos

Ainda ontem falava da mal disfarçada alegria dos derrotados de há um mês por causa do downrating do nosso crédito. Exprimi-me mal: não há qualquer disfarce, como se pode ver aqui. Diz Hugo Mendes: "Hoje, assume-se que a austeridade já não funciona (ou seja, não convence as agências e os mercados)..."

Até agora, não houve cortes sérios na despesa, o que houve foi algum aumento de impostos. Objectivamente, o que foi feito em quase nada se distingue da marca de água da governação socialista - a diferença está no MoU e no que o novo Governo diz serem as suas intenções. E acredito não seja um caso do olha para o que eu digo não olhes para o que eu faço: com 15 dias não seria talvez possível que as coisas fossem de outra maneira.

Aguardo três meses - com crise ou sem crise, o novo Poder tem o direito de ter tempo para conhecer os cantos à casa e preparar os instrumentos da mudança. Depois falamos; ainda que o médico que propina o antídoto não tenha exactamente um excesso de disponibilidade para discutir terapias com o envenenador.

Qual a melhor cor para receber os rapazes?

Moody's vem a Portugal na próxima semana para encontros "reservados" com banqueiros portugueses


Democracias a granel

Ele, democracias, há muitas. Neste texto do filósofo social Boaventura Sousa Santos, conto quatro: participativa, de baixa intensidade, semi-democracia e democracia política combinada com fascismo social. A conclusão? Ora, é bom de ver: "A luta pelo aprofundamento da democracia é necessariamente uma luta anti-capitalista."

O lugar da democracia sem glamour (sabem, aquela em que há campanhas eleitorais, e liberdade de opinião para a esquerda e direita, e políticos de carreira e sem ser de carreira, e votos secretos, e carne assada, e debates na TV, e dias de eleições, e toda uma ridícula parafernália de rituais, onde fica?

Não fica - mas isto Boaventura não diz.

"Nada me faltará"

Último texto de Maria José Nogueira Pinto publicado hoje no DN

Puse(ra)mo-nos a jeito

A Esquerda Socialista, qual arauto, anuncia que a Direita não tinha consciência da crise e do ataque especulativo.

Sabíamos. A Direita sabia e os portugueses também.

Mas este ataque só foi possível porque pusemo-nos a jeito de ser o alvo. Fizemos tudo de errado nos últimos 8 anos. Endividamo-nos de mais e fizemos todos os erros possíveis.

Agora, o Governo parte ainda mais de trás. Mas juntos venceremos de novo.

O Príapo Italiano

Berlusconi tem sexo 6 dias por semana e ao 7º descansa, é o que diz o médico pessoal, que deve ser uma pessoa com ideias muito próprias sobre o sigilo profissional. Agora notícia notícia era se a vedeta da política pimba se masturbasse ao 7º dia.

Alterações de mood...

Cavaco Silva disse, em reacção a uma descida de rating da República, que ninguém contasse com ele para prejudicar o país numa retórica desnecessária, a retórica de ataque aos mercados internacionais que não cria um único emprego, que pode dar títulos de jornais, notícias na televisão ou na rádio, mas não resolve um único problema do nosso país.
Cavaco Silva disse, em reacção a uma descida de rating da República, que considera não haver a mínima justificação para que o rating de longo prazo de Portugal tenha sofrido tal corte, e congratulou-se com a condenação da atitude da agência de notação financeira Moody’s por parte da União Europeia, de instituições europeias e internacionais e de vários governos europeus.

A diferença é que uma declaração foi feita em Novembro de 2010, o PS estava no poder, a crise financeira mundial não passava de um abalozito e o problema, sendo português, apenas podia ser resolvido por nós.

A outra declaração foi feita ontem, Julho de 2011, o PPD está no poder, a crise financeira mundial afinal existe, e o problema afinal merece uma resposta europeia. Bem vindo Sr. Presidente!

O despertar da Direita

Parte da Direita já despertou para o verdadeiro problema da crise das dívidas soberanas. Se, até agora, a crise era essencialmente interna e com um único culpado, José Sócrates, a Direita começa já a distinguir as formas do actual ecossistema financista e os vultos dos seus verdadeiros predadores.
Ninguém o pode negar: parte do problema é da responsabilidade dos políticos que nos governam desde 1985. Mas também é profundamente sofismático afirmar que é a existência de um Estado Social que dá à crise a sua dimensão actual.
A crise, sabemo-lo há muito, e sabe-o agora também a Direita, não passa de um movimento estratégico concertado, numas partes mais noutras menos, entre oligopólios financeiros, agentes políticos que odeiam a Europa social e os talibãs da Economia: os neoliberais, para quem o Estado é apenas uma forma de garantir o direito de propriedade (quando não uma forma de garantir negócios rentistas).
A Direita já despertou para uma dura realidade: a guerra económica sempre existiu, existe, e com a globalização passou a utilizar países inteiros como mera carne para canhão.
O Partido Socialista não alterou o seu comportamento. Como diz Ferreira Fernandes no Diário de Notícias, o PS não está a pagar na mesma moeda, está ao lado do Governo PPD/PP na indignação perante mais um bombardeio financeiro. Tendo sido sempre essa a postura do PS, é de lamentar que tenha sido preciso o PPD e o PP chegarem ao Governo para (em conjunto com o Presidente da República) passarem para este lado da barricada.O que podemos dizer? Bem vindos à guerra por Portugal e pela Europa. Derrotámos nazis, fascistas e estalinistas: juntos venceremos de novo.

A propósito de "ratings"

«Bem sabe Vossa Excelência que pode tanto cada um em sua casa que mesmo depois de morto são precisos quatro homens para o tirarem!»


Sebastião José de Carvalho e Melo, mais coisa menos coisa, perante a ameaça de uma invasão estrangeira. Hoje, o espírito até pode ser este. Mas a batalha que travamos não é campal.

Here's to you Moody's

quarta-feira, 6 de julho de 2011

A (ir)responsabilidade Socialista

É certo que o PS não se congratulou com a medida da Moody's por pudor.

E depois de tudo o que é aqui descrito, ainda nos queriam deixar mais um contrato assinado no último dia.

Isto é que é responsabilidade!

Seguro soma apoios...

Só não sei se estes apoios são assim tão bons...

Depois do "Luis, fico bem assim ou assim", Seguro tem agora o apoio da Ministra que dava entrevistas como Ministra mas que prometia como candidata, como esta e que se recusou a passar a pasta ao seu sucessor, demonstrando um mau perder inacreditável e que, no fundo, não se preocupava com País.

Eu sei que Seguro não pode recusar apoios, mas pelo menos podia não veiculá-los para a comunicação social.

É pena, mas parece que no PS vamos ter mais do mesmo.

Moody's

E se as malditas agências de rating pegassem no seu complexo de Deus e fossem chatear outros?! Isso é que era bonito.

Isto não se faz a um país que acabou de decidir que quer seguir um novo e melhor caminho e cujas novas políticas ainda nem sequer foram postas em prática na sua totalidade.

Maria José Nogueira Pinto

Fui surpreendido por este texto do João Távora.

Fiquei Triste.

Apesar de nem sempre concordar com as suas ideias, como no Congresso de Braga do CDS em 1998, nutria por Maria José Nogueira Pinto um enorme respeito, e sobretudo uma grande admiração.

Foi sem duvida uma grande Mulher, que sempre defendeu as suas ideias e ideais.

Não tenho a menor dúvida que Portugal ficou mais pobre.

Este texto e este dizem tudo.

A mim apenas me resta apresentar as minhas sentidas condolências à família em especial ao Eduardo.

Tenho a certeza que Maria José Nogueira Pinto está junto de Deus. Que descanse em paz!

BCP, Credit Suisse, juros e...

Uma acção do BCP vale 36 cêntimos. O Credit Suisse antecipa que as demais agências de rating sigam o exemplo da Moody's e considerem a nossa dívida mero lixo... Os nossos juros sobem a 18%...

E, o que é pior, os próximos dias trarão péssimas notícias para todos os Portugueses. Não tenhamos dúvidas.

A minha única esperança é que os governantes europeus percebam que não têm alternativa e têm de abordar a crise internacional de forma completamente distinta...

Maria José Nogueira Pinto

Com a sua morte, Portugal ficou mais pobre. Isso diz tudo.

Keep it cool

Um turista da blogosfera percebe o som, a fúria e a impotência destes dias, para uns, e a mal disfarçada alegria para outros, os derrotados de há um mês. Eu estou do lado direito da barricada, é claro. Mas qual lado direito? É que tanto meneio uma cabeça concordante com este texto, e este, e este, entre muitos outros, como coço dubitativamente o queixo com este (será?...não acredito em bruxas, mas..).

Vou deixar a poeira assentar. E, com a autoridade que não tenho, a todos recomendo: Keep it cool.

A Moody's e o PS

O PS não está contente com a decisão da Moody's. Muito pelo contrário... A bem do País, deseja que o Governo seja bem sucedido na gestão desta crise.

Mas, sinceramente, creio que o PSD e o CDS não compreendem o mundo. Achavam que as agências de rating e os mercados iam reconhecer a importância do imposto extraordinário e o País ia começar a recuperar a sua credibilidade... Por isso, de forma quase infantil, ficaram tão chocados com a decisão da Moody's...

Se percebessem as agências de rating e o mundo... perceberiam que as medidas que o Governo Português possa tomar não influenciam o cenário global - o cenário em que Portugal não consegue voltar aos mercados em 2013, vai haver um segundo bailout e a reestruturação da nossa dívida...

Uma grande mulher...



Piada foleira do dia

Por causa disto, creio que autores e leitores estão hoje mais preocupados com o estado da sua manicure do que com a Moody's, daí que remirem as mãos - particularmente a direita e, nesta, o indicador e o anelar. E está bem assim, que enquanto tivermos noção da verdadeira hierarquia das coisas nada está perdido.

A Europa chateia. A CPLP interessa



Desde 1986 que a Europa se convence que nos ensina a ser país. A Europa exigiu investimentos em infra-estruturas. Exigiu alterações normativas. Exigiu o desinvestimento em sectores da economia. A Europa exigiu harmonização e uniformização da Europa. A Europa foi importante para o crescimento e desenvolvimento português.

A Europa, que já não pode utilizar os países africanos como laboratórios económicos, utiliza-nos e experimenta-nos, porque somos pobres. Alemanha, tradicional destabilizadora europeia, ingere-se nos assuntos internos dos Estados-membros com arrogante leveza.

Digo sim à União Europeia e ao Euro, mas digo não a esta Europa.
Importar modelos económicos não nos resolve. Devemos ter liberdade de escolher o nosso modelo e os nossos parceiros.

Portugal tem solução. E a solução passa pelo aprofundamento das suas relações com os Países de Língua Oficial Portuguesa.

Podemos contribuir para o desenvolvimento daqueles países e ter a simplicidade de pedir ajuda aqueles que nos podem – e manifestaram interesse em – ajudar.


Esta será a prioridade do Ministério dos Negócios Estrangeiros. Contamos com um bom Ministro e um excelente Secretário de Estado.

Sobre a nossa situação...

A reacção de alguns socialistas ao corte no rating da república (adoro esta expressão), parece a daqueles bêbados que acordam no day after com uma ressaca monumental e dizem que a culpa foi do trigésimo copo de whiskey que beberam na noite passada...


Tal como estes, os socialistas esquecem-se que, para chegarmos até aqui, foi necessário 6 anos de bebedeira geral (que incluiu aumento dos funcionários públicos, baixa de impostos e cheques bébé no período eleitoral de 2009) que culminaram com o presidente do partido, no limiar do pedido de ajuda externa, a concluir que "nos primeiros três meses deste ano a situação foi óptima" e que "estava a haver uma evolução espectacular"...

Uma resposta europeia para a crise, precisa-se

A Europa está debaixo de fogo. Depois dos primeiros embates e das primeiras derrotas, tem de se reorganizar. Tem de se defender dos ataques à sua moeda, às suas instituições, aos seus países, aos seus povos. Tem de estar à altura do desafio. Tem de estar à altura dos seus pergaminhos.

O Partido Socialista Português tem de tomar a liderança nesse processo. António José Seguro já declarou ter esse propósito. Isso basta para ter o meu apoio

Mas deveria bastar também para que Passos Coelho tentasse seguir o seu exemplo e se movimentasse no seio da família democrata-cristã a que pertence (irónico, não é?) para que os partidos conservadores apresentassem o seu plano de resposta concertada à crise. Mas, à direita, a lógica continua a ser a de cada um por si... É por isso que David Cameron se orgulha de não ter aderido ao euro e jura que não vai participar no bailout de mais nenhum país europeu. É por isso que a Senhora Merkel diz mal dos europeus do sul e hesita (para utilizar um eufemismo) em intervir...

E ainda há quem diga que não há diferenças entre o PS e o PSD...

O PS congratulou-se com a medida da Moody's?

A governação socialista, com os seus power points e telepontos falhou todos os indicadores que propagandeou, obrigou o Governo a pedir mais um esforço aos portugueses. E por medo do fenómeno grego ou por confiança em Álvaro Santos Pereira aceitámos essa medida.

Para os mais relutantes, as dúvidas rapidamente se dissiparam. O Governo anunciou a retirada do Estado das empresas. E as privatizações vão em diante. Essa medida traz benefícios. Retira o Estado do tradicional papel ingerente no sector empresarial; Dá espaço à economia, promovendo uma sã e livre concorrência; E consequentemente promove uma maior protecção dos consumidores. O Estado forte e independente na regulação e supervisão está para chegar, mas não tarda.

No entanto, a Moody's reviu o rating de Portugal e logo assistimos a alguma oposição irresponsável do PS que não se congratulou por pudor.

Para esses, transcrevo um trecho do relatório da Moody's:

Moody's acknowledges that its earlier concerns about political uncertainty within Portugal itself have been largely resolved. Portugal's national elections on 5 June led to the formation of a viable government, both components of which had campaigned on the basis of supporting the EU-IMF loan agreement negotiated by the previous government. Moody's also acknowledges the policy initiatives announced at the end of June demonstrate the new Portuguese government's commitment to the programme.

Esperava sentido de Estado, responsabilidade, e patriotismo. Estava enganado.

Antes era o "resultado da falta de credibilidade" (II)

«As nossas empresas, bancos, tudo hoje vale menos que ontem. Numa altura de privatizações. De testes de "stress". Já dei para o peditório da ingenuidade: não há coincidências. Hoje milhares de investidores que andaram a "shortar" acções e dívidas portuguesas estão ricos. Comprar as EDP e REN será mais barato. Não estamos em saldos, estamos a ser saldados. Salteados.»

A infalibilidade

Para os Anarco-Liberais, anti-social-democratas e anti-democrata-cristãos, as agências de rating são infalíveis como o Mercado. Não falham nunca. Não se enganam.

Ungidas e incensadas, as agências de rating são as intérpretes autênticas da vontade do Deus-Mercado. Todos nós, ímpios, vivemos no erro e em pecado económico.

Os anarco-liberais confundem razão e racionalidade com força e com poder. E isso diz tudo sobre o seu pensamento político...

Antes era o "resultado da falta de credibilidade"


João Duque, Presidente do ISEG,

uma das cinco escolas superiores públicas que,

em Lisboa, vendem cursos de Economia e Gestão

(as outras são o ISCTE, a Nova, o ISCAL e a Univ. Aberta).

Mentiras?

O PSD prometeu não aumentar impostos. Aumentou. Tentou justificar tal aumento com base no desvio na execução orçamental publicado pelo INE. Sabe-se, no entanto, que esta medida já estava tomada muito antes da divulgação desses dados. Daqui a quanto tempo é que Passos Coelho vai começar a ser considerado - justa ou injustamente - mentiroso?

Os meus agradecimentos para Fernando Nobre

Obrigado por ter dito a todos os Portugueses que não assumiria o seu lugar de deputado caso não fosse eleito Presidente da Assembleia da República. Obrigado por ter corrigido essa sua afirmação e ter declarado que, se não fosse eleito, iria ponderar se ficava no Parlamento. Obrigado por, mais tarde, ter afirmado que seria deputado em qualquer circunstância.

Obrigado, de facto. Obrigado por nos ter permitido ficar a conhecê-lo melhor, bem como a quem o escolheu para cabeça de lista por Lisboa.

Ah... e, já agora, obrigado por ter renunciado ao cargo de deputado. Este último agradecimento é sincero.

se ficar o bicho pega se correr o bicho come

Com a austeridade veio a troika.
Com muita mais austeridade a Moody's corta 'rating' de Portugal para 'lixo'.

O PSD e a Moody's

O rating de Portugal caía. Para o PSD, a explicação estava na circunstância de termos um governo minoritário. O rating de Portugal era alvo de novo downgrade. Para o PSD, a responsabilidade residia na falta de credibilidade do Eng. José Sócrates. As agências de rating voltavam a cortar a nossa notação outra vez. Para o PSD, tal corte devia-se à insuficiência das medidas do PEC IV.

Entretanto, o PSD ganha as eleições e forma um governo de coligação com o CDS. O rating da República cai. O PSD desta feita não apresenta explicações. Parece que, afinal, termos um governo maioritário era e é insuficiente para acalmar os mercados... O Governo toma posse. Passos Coelho é o novo Primeiro-Ministro de Portugal. Mas o rating continua a descer. Parece que, afinal, ter um primeiro-ministro credível não chega... a não ser que o PSD reconheça que Passos Coelho não tem credibilidade. Finalmente, o PSD anuncia um aumento extraordinário de impostos. Não por ser necessário, mas para estar prevenido para que o desse e viesse... E a Moody's desce o rating de Portugal 4 níveis de uma vez só e considera-o lixo. O PSD fica estupefacto e, ingenuamente, declara que a Moody's decerto não teve conhecimento atempado do aumento de impostos de que o PSD tanto se orgulha. Só falta esperar que, depois de analisar esta medida com cuidado, a Moody's rectifique a sua posição...

Será que desta vez o PSD vai perceber que o nosso rating e a taxa de juro das nossas obrigações de tesouro não dependem praticamente nada de nós? Que o que está em causa é a organização da União Europeia, a defesa do euro...? Que o problema e a sua solução estão na Europa? Espero que sim, para bem do nosso País. Mas temo que não, pelo espírito neoliberal que anima o Governo e por não terem sequer mencionado as questões europeias ao apresentar o programa de Governo.

E os nossos concidadãos? Que pensarão eles quando perceberem que lhes foram pedidos sacrifícios que não estavam acordados com a famosa Troika... e que esses sacrifícios são, infelizmente, irrelevantes para atingir o propósito de restabelecer a nossa credibilidade nos mercados financeiros internacionais?

Elogios e resmungos

O ralhete não é para mim, que não sou estrela do firmamento blogueiro; e, vendo bem, de liberal tenho dias e poucos - tanto sou pela privatização da RTP como pela saída do Euro, tanto aprecio a, aliás cada vez menor, liberdade económica americana, como detesto a Coca-Cola e a cultura pop - além de outras opiniões decididamente pouco alinhadas, que por pudor e preguiça me abstenho de listar. Mas é verdade que já expectorei algumas críticas às primeiras medidas do Governo que ajudei a eleger e, de elogios - zero. Os elogios podem ser úteis para amigos deprimidos, mas na coisa pública amigos exigentes e vigilantes são os melhores que se podem ter. Elogios, aplausos? Já vimos muito disso. Aqui é mais para o resmungo.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Quem faz lembrar?

"O anúncio apanhou desprevenidos alguns dos militantes presentes, mas fonte da direcção do partido explicou ao tvi24.pt que a sucessão de Louçã está a ser preparada «há muito tempo», mesmo antes das últimas eleições terem reduzido o grupo parlamentar a metade."

Louçã está há muito tempo a preparar a sua sucessão, na tradição e no seguimento daquilo em que acredita.

Louçã, segue assim os seus idolos:

Houdini reencarnado

Se bem percebi a salgalhada obscura que esta entrevista é, parece que Portugal poderia repudiar uma parte da sua dívida, porquanto "...os empréstimos do FMI, do Banco Central Europeu e dos governos europeus à Grécia, à Irlanda e agora a Portugal... são créditos outorgados sob condições que implicam a violação de direitos económicos e sociais da população do país, em contradição com convenções assinadas pelo país com instituições como a Organização Internacional do Trabalho, etc. Ou sobre os princípios de contratação colectiva que foram postos em questão por tal condicionalidade. Para mim estes créditos são dívida do tipo ilegítimo."
O Sr. Toussaint é um génio: bastaria elevar a fasquia dos tais direitos económicos e sociais, e melhorar a favor dos trabalhadores os princípios da contratação colectiva, e a seguir pedir empréstimos. Se, por causa dos direitos, fosse impossível assegurar o serviço da dívida, esta seria "ilegítima" e logo não teria que ser paga. Estava encontrada a maneira de o País viver acima dos seus meios - se é claro houvesse quem estivesse disposto a emprestar. Deste detalhe prosaico não cuida o Sr. Toussaint - também não se pode lembrar de tudo.

Lisboetices

A esquerda não gosta de automóveis privados: as marcas e os modelos diferenciam as pessoas pelo seu rendimento, a segurança não é a mesma em todos os veículos (em princípio quanto mais caro mais seguro), o grau de mobilidade varia com os recursos disponíveis para adquirir combustível, nem todos os cidadãos podem adquirir um automóvel... não, decididamente o automóvel é bem o símbolo das nossas sociedades inigualitárias. Depois, o automóvel polui. E o "combate" à poluição é uma bandeira que a esquerda adoptou, porque a esquerda, segundo o meio-esquecido Kundera, precisa de bandeiras para se sentir moralmente superior, e porque a poluição é uma consequência do consumo e da industrialização - precisamente aqueles fenómenos da vida moderna onde mais se evidenciou a superioridade do modelo capitalista. Depois, a pureza do homem primitivo, o sossego de uma ruralidade mítica e os malefícios da concentração e da urbanização nunca andam longe... e não só para a esquerda.

Quer dizer que estas medidas, que ficam, na opinião deste opinion maker, aquém do desejável, têm uma marca política. E não deixam de a ter por haver uma moda de pensamento (como, por exemplo, aqui) anti-automóvel privado dentro da cidade, à boleia de escolhas supostamente inevitáveis e científicas e, portanto, isentas desse maldito labéu da escolha política.

Não sou lisboeta e mal conheço a cidade. Ignoro a lógica a que obedecem estas mudanças, além da intenção óbvia de aumentar as receitas do Município e de umas piedades sobre alívio da densidade de automóveis. Sobre a bondade delas tenho reservas, não certezas. O meu ponto é que a imposição do transporte público a preços "sociais" (isto é, pago via impostos também por quem não os utiliza, e com derrapagens de custos inerentes a uma gestão em que o insucesso não é sancionado) é uma redistribuição e malbaratação de recursos; e que a multiplicação de argumentos factuais, lógicos, de senso comum, ambientais e tutti quanti não nos deve fazer esquecer que, também aqui, há escolhas políticas a fazer. Paciência.

Apresentamos...

a Margarida Bentes Penedo (Lisboa, 1966) é arquitecta, especialista em sustentabilidade da construção e em comportamento térmico dos edifícios, e membro do iiSBE Portugal. Admira a autoridade, seja ela científica, democrática, artística ou moral. Despreza politólogos, observadores internacionais (ou de qualquer outra espécie), licenciaturas em gestão, e especialistas em "empreendedorismo". Gosta de jogar bridge.

Bem vinda!

Previsões de Futuro

Francisco Louçã vem anunciar o futuro, e numa tentativade calar os criticos diz que se demite até 2015, já que não será candidato nas eleições legislativas desse ano.

Só resta saber entre 2011 e 2015 qual será o dia escolhido por Louçã, cá para mim tenho que se for mesmo verdade será o 31/12/2015.

A história do Juro

Imagine que liderava um banco. E imagine que um vulgar cliente lhe pedia dinheiro emprestado. E imagine que após procurar alguma informação, tinha conhecimento que esse cliente estava falido e não era sério.
E imagine até que esse cliente lhe ocultava propositadamente dívidas ainda maiores.
Imagine agora que estava obrigado a emprestar dinheiro a esse cliente. A que taxa de juro emprestava o dinheiro?

A injustiça desta história é que o cliente foge para Franca. O novo mutuário é sério. Mas o juro mantém-se.

25 de Abril (com portagem) sempre!

Todos os anos em Agosto os lisboetas sentem-se um pouco portuenses ou coimbrões: não pagam portagem para passar numa das pontes.
Este ano isso terminará.
A borla apenas se manterá para todas as outras pontes em todas as outras cidades portuguesas: é a crise, dizem.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Quando se fala de candidatos à presidência do parlamento derrotados...



...é bom não esquecer que este, ao menos, teve o pudor de não chamar "dona de casa" à senhora que acabou por ocupar o seu "lugar por direito"!

Próceres

Ainda bem que há quem não entenda nada de política, ou economia, ou finanças, ou literatura, ou Arte; viva a iliteracia e a ignorância: que eu gosto é de economia de merceeiros e opiniões de taxistas. Porque estes podem cometer injustiças terríveis - a ignorância e o preconceito são fonte dos maiores crimes e das maiores injustiças. Mas, ao menos, vêem o óbvio: e o óbvio é que as luminárias que aqui figuram nos meteram na enrascada em que estamos; e não é com a ajuda destas outras que dela vamos sair. O mínimo exigível seria que tivessem aprendido alguma coisa e, por mor disso, enfiassem a envergonhada cara num tacho. Mas não: eles andem aí.

Crise do Euro: o essencial e o acessório

O Professor Daniel Bessa, na sua coluna semanal no Expresso, destrinça bem o essencial do acessório. O Euro é um projecto europeu de grande e inegável sucesso que, com toda a probabilidade, sobreviverá a esta crise financeira. As economias periféricas, mais frágeis, como a portuguesa (mas sobretudo a grega), querendo continuar a beneficiar do "euro-clube" têm de mostrar que estão disponíveis para fazer ajustamentos dolorosos.

Por isso, não nos percamos na "espuma dos dias". É pouco ou nada relevante quena Alemanha, alguém que quase ninguém sabe quem é e que não tem poder decisório ou de influência, saia a público para dizer que a Alemanha deve sair do Euro.

Um novo "New Deal"

Lembrando à Alemanha- de forma pouco subtil - que não foi punida pela Segunda Guerra Mundial, em que foi responsável pela morte de milhões de pessoas e destruição de vários países, a declaração conjunta de vários líderes europeus defendendo a existência de eurobonds merece ser lida:
«Many to most of its member states are deep in debt after salvaging banks. But the Union itself has next to none. Even with buy-outs of national debt since May last year, its own debt is under 1% of its GDP.
This is less than a tenth of the level from which the US issued bonds to finance the New Deal whose success gave it the confidence to fund the Marshall Aid which recovered Europe from WW2 and from which Germany was a key beneficiary
». (aqui o texto na íntegra)

Bens não-transaccionáveis

Este artigo diz respeito aos E.U.A. e ao papel que na crise do sub-prime teve a Administração e a sua interferência no mercado da habitação. Com adaptações, aplica-se também ao caso Português - congelamos o mercado de arrendamento e incentivamos com dinheiro público a compra de habitação própria. Não traz nada de novo, mas andamos esquecidos.

O novo programa para a Educação

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