Defendemos aqui que o Euro era e é um projecto de grande sucesso e que isso era um marco estruturante.
Depois, defendemos também aqui que a entrada da Itália no "grupo dos aflitos" podia bem ser o fim do princípio
As notícias sobre o novo plano para a Grécia e o aliviar dos juros a Portugal, constituem boas notícias que reforçam a confiança em torno do Euro.
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quinta-feira, 21 de julho de 2011
Reforçar a Confiança no Euro
Ler os outros: "The importance of being Euro"
"Lady Bracknell. Now to minor matters. Are your parents living?
Jack. I have lost both my parents.
Lady Bracknell. To lose one parent, Mr. Worthing, may be regarded as a misfortune; to lose both looks like carelessness.
In this initial post, I would like to share a recurring thought. In pondering about the current crisis, I am often reminded of the above exchange in Wilde's The Importance of Being Earnest. Yes, I know that the Portuguese situation has its own very particular (perhaps even peculiar) national dimensions - just like the Greek and Irish crises have their own domestic specificities, echoing Tolstoy's oft-quoted dictum about each unhappy family being unhappy in its own way. Yet I find myself invariably returning to Lady Bracknell’s response above. To paraphrase Wilde, if losing one (Greece) could be considered misfortune on the part of the Eurozone, to lose three really does look like carelessness. With another two or three (Italy, Spain, maybe even Belgium further down the road?) edging towards the brink, it seems that Europe has yet to fully realise the political importance of being Euro."Lady Bracknell. To lose one parent, Mr. Worthing, may be regarded as a misfortune; to lose both looks like carelessness.
Oscar Wilde, The Importance of Being Earnest
Por Carlos Jalali, aqui.
sábado, 16 de julho de 2011
Marshall ou Thatcher? A escolha de um caminho,
Comparada com os problemas da Europa de então [pós-Guerra], os atuais são uma pálida insignificância. Na Alemanha ocupada, o dínamo económico do continente, o consumo de bens alimentares raiava o nível da fome e o rendimento nacional bem como a produção industrial eram pouco mais de um terço dos de uma década antes.
Cerca de 13 mil milhões de dólares foram investidos no Programa de Recuperação Europeia (nome oficial do Plano Marshall), o que se revelou indispensável para lançar as bases para o "milagre" do crescimento económico sustentado da década que se seguiu. Esse valor equivalia a cerca de 5% do PIB dos Estados Unidos, em 1948. (A soma equivalente para a UE, hoje, seria superior a 800 biliões de dólares – 552,5 biliões de euros.) Os EUA perdoram as dívidas francesas anteriores à guerra e todos subscreveram as de Berlim, alguns anos mais tarde, apesar de terem acabado de sair de uma guerra iniciada pelos alemães.
Marshall compreendeu que o real valor da ação decisiva que lançou não era quantitativo, mas psicológico. Só a confiança fornecida por uma liderança governamental poderosa, capaz de ver para além do momento presente, poderia tranquilizar os mercados. Tinha razão; o milagre económico que transformou a Europa deu-se graças a uma feliz combinação de empenho governamental no crescimento, e de investimento privado.
Os membros da classe política atual, na Europa, são herdeiros de Margaret Thatcher, não de George Marshall. Custa-lhes entender que os mercados precisam de ser salvos de si mesmos, se a Europa quiser sobreviver numa qualquer forma parecida com a atual. Esquecem-se de que a própria Alemanha viu as suas dívidas de antes da guerra canceladas, em 1953, uma condição prévia para sua expansão posterior;
Cerca de 13 mil milhões de dólares foram investidos no Programa de Recuperação Europeia (nome oficial do Plano Marshall), o que se revelou indispensável para lançar as bases para o "milagre" do crescimento económico sustentado da década que se seguiu. Esse valor equivalia a cerca de 5% do PIB dos Estados Unidos, em 1948. (A soma equivalente para a UE, hoje, seria superior a 800 biliões de dólares – 552,5 biliões de euros.) Os EUA perdoram as dívidas francesas anteriores à guerra e todos subscreveram as de Berlim, alguns anos mais tarde, apesar de terem acabado de sair de uma guerra iniciada pelos alemães.
Marshall compreendeu que o real valor da ação decisiva que lançou não era quantitativo, mas psicológico. Só a confiança fornecida por uma liderança governamental poderosa, capaz de ver para além do momento presente, poderia tranquilizar os mercados. Tinha razão; o milagre económico que transformou a Europa deu-se graças a uma feliz combinação de empenho governamental no crescimento, e de investimento privado.
Os membros da classe política atual, na Europa, são herdeiros de Margaret Thatcher, não de George Marshall. Custa-lhes entender que os mercados precisam de ser salvos de si mesmos, se a Europa quiser sobreviver numa qualquer forma parecida com a atual. Esquecem-se de que a própria Alemanha viu as suas dívidas de antes da guerra canceladas, em 1953, uma condição prévia para sua expansão posterior;
terça-feira, 12 de julho de 2011
Perder o horror à impressão de nota-moeda
Face ao soar de alarmes da dívida soberana italiana, Merkel responde com a mesma receita: o euro está forte, os países com problemas de dívida necessitam de equilibrar as suas contas, com austeridade.
Bem sei que não é possível seguir, sempre, medidas expansionistas. Sei bem que os Estados que acumulam deficit têm de reduzir gastos supérfluos.
Mas a receita "austeridade" é insuficiente, como se vê bem no caso da Grécia: o aumento da taxa de impostos já gera mais déficit (porque a sociedade grega saturou).
A Alemanha, a par de exigir reformas estruturais nos países mais endividados, terá de perder o horror à impressão de papel-moeda ou à emissão de eurobonds.
De outro modo, perdemos todos, alemães incluídos.
segunda-feira, 11 de julho de 2011
Guerra económica e o Momento Chamberlain da UE
Com a estreia da Itália no clube da bancarrota, com 22% de probabilidade de falência, a guerra económica ao Euro e ao que resta do Estado Social começa a penetrar no círculo dos grandes Estados-membros da UE.
E como reage a Alemanha, actual farol da política monetarista europeia? Ao estilo de Neville Chamberlain, o tristemente célebre PM britânico que firmou um acordo com Hitler e proclamou a paz, levando a sério a palavra do líder nazi. Isto quando todas as evidências apontavam para o contrário.
Pois bem, Merkel diz que acredita no governo italiano, que resolverá todos os problemas com austeridade, «chutando» para a frente as decisões difíceis, enquanto vocifera indignações estéreis contra às agências de rating.
Pois bem, quem vivesse no tempo de Chamberlain e estivesse bem informado, certamente especularia que uma II Guerra Mundial iria eclodir a qualquer momento, pois a palavra de Hitler não era para levar a sério.
E é isso que as agências de rating sabem - as palavras de Merkel e da restante liderança europeia são como o acordo de Chamberlain: vazias, porque não são solução viável.
E como reage a Alemanha, actual farol da política monetarista europeia? Ao estilo de Neville Chamberlain, o tristemente célebre PM britânico que firmou um acordo com Hitler e proclamou a paz, levando a sério a palavra do líder nazi. Isto quando todas as evidências apontavam para o contrário.
Pois bem, Merkel diz que acredita no governo italiano, que resolverá todos os problemas com austeridade, «chutando» para a frente as decisões difíceis, enquanto vocifera indignações estéreis contra às agências de rating.
Pois bem, quem vivesse no tempo de Chamberlain e estivesse bem informado, certamente especularia que uma II Guerra Mundial iria eclodir a qualquer momento, pois a palavra de Hitler não era para levar a sério.
E é isso que as agências de rating sabem - as palavras de Merkel e da restante liderança europeia são como o acordo de Chamberlain: vazias, porque não são solução viável.
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