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segunda-feira, 8 de agosto de 2011

O Governo do táxi

João Pinto e Castro sai-se aqui com uma boutade:

"Em Inglaterra, as pessoas mais capazes de governar o país estão infelizmente demasiado ocupadas a conduzir táxis.

Em Portugal, as pessoas mais capazes de conduzir táxis estão infelizmente demasiado ocupadas a governar o país."

Prima facie, é um feliz jogo de palavras. Porém, numa segunda leitura, perguntamo-nos por que razão os motoristas de táxi ingleses são mais competentes que os colegas portugueses para efeitos de governar: serão de esquerda? Ah, deve ser isso.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Os Nossos Velhos

João César das Neves, um notório monstro de egoísmo, quer aqui baixar as exigências regulamentares dos lares para a terceira idade, no pressuposto economicista de que, sendo os recursos finitos e havendo mais indigentes para alojar do que alojamentos disponíveis, o irrealismo nas exigências tem efeitos contraproducentes - o hotel de 3 estrelas de uns implica o hotel de uma estrela (a Polar) de outros.

Ana Matos Pires indigna-se, virtuosamente; e quer inquirir onde vivem os velhinhos da família do senhor.

Não conheço estas personagens ilustres do espaço público, e menos ainda as famílias respectivas. Mas não me parece um salto lógico abusivo imaginar que os velhinhos da família Neves vivem das economias que amealharam, e da ajuda dos familiares; e os da família Pires de ajudas públicas.

Estou, provavelmente, a ser injusto - a lógica tem destas coisas.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Venenos e antídotos

Ainda ontem falava da mal disfarçada alegria dos derrotados de há um mês por causa do downrating do nosso crédito. Exprimi-me mal: não há qualquer disfarce, como se pode ver aqui. Diz Hugo Mendes: "Hoje, assume-se que a austeridade já não funciona (ou seja, não convence as agências e os mercados)..."

Até agora, não houve cortes sérios na despesa, o que houve foi algum aumento de impostos. Objectivamente, o que foi feito em quase nada se distingue da marca de água da governação socialista - a diferença está no MoU e no que o novo Governo diz serem as suas intenções. E acredito não seja um caso do olha para o que eu digo não olhes para o que eu faço: com 15 dias não seria talvez possível que as coisas fossem de outra maneira.

Aguardo três meses - com crise ou sem crise, o novo Poder tem o direito de ter tempo para conhecer os cantos à casa e preparar os instrumentos da mudança. Depois falamos; ainda que o médico que propina o antídoto não tenha exactamente um excesso de disponibilidade para discutir terapias com o envenenador.

domingo, 3 de julho de 2011

Palavrões e outras modernidades

Andam pr'aí uns reaccionários, uma gente vagamente zangada com as descontracções do nosso tempo, sempre a torcer, nas pequenas e nas grandes coisas, o nariz à modernidade. Esta gente até pode dizer palavrões no seu dia-a-dia; e, se viver no Norte, di-los com naturalidade e frequência. Mas não vê com bons olhos a americanice no trato (Álvaro, quantos e quais serviços é que vai extinguir no seu Ministério?), como não vê com simpatia o uso de palavrões no discurso escrito. Entendamo-nos: Henry Miller pôde usar palavrões, Jorge Amado pôde usar palavrões, e Luís Pacheco, e uma infinidade de outros ilustres defuntos; nos que vivem, até mesmo escritores menores como Miguel Esteves Cardoso usam da mesma liberdade sem despertar engulhos. Mas a escribas de blogues e jornais, mesmo que de sucesso, recomendar-se-ia - os reaccionários recomendariam - contenção. Lembrei-me deste ralhete, para o qual òbviamente não tenho autoridade, por causa deste texto.