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quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Marcha fúnebre

Este artigo, com um mal disfarçado entusiasmo, que subscrevo, e bons argumentos, que me animam, faz o enterro prospectivo do Euro e da própria UE tal como a conhecemos.

As modas políticas demoram a expandir, e mais ainda a chegar ao cabo da Roca. Mas chegam fatalmente porque, como diz o poema, não há machado que corte a raiz ao pensamento.

O texto é relativamente extenso e receio que haja pouca clientela, ainda, para discursos tão ao arrepio das ideias dominantes. Transcrevo a conclusão - deve ser suficiente para afugentar a maioria dos que estivessem dispostos a ceder à curiosidade.

"Across the EU, Euroscepticism has gone mainstream. National parliaments are starting to find their voice — and deciding that they just can’t continue standing by while their powers evaporate to the EU. Once they have committed the heresy of Euroscepticism, they seem to get a taste for it. The euro crisis is a disaster for the European economy — but it could be the saviour of European democracy."

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Da punição

Ontem a Europa, apercebendo-se do perigosíssimo caminho que trilhava rumo a um conflito de dimensão e natureza imprevisíveis, aliviou a punição a exercer sobre os países que estão sob a artilharia financeira.

Ontem o Governo português aprovou mais uma medida de punição da classe média, que se suburbanizou em consequência das políticas de Cavaco Silva e agora é castigada por "não ser racional" quanto ao locais em que vive e em que trabalha...

sábado, 16 de julho de 2011

Marshall ou Thatcher? A escolha de um caminho,

Comparada com os problemas da Europa de então [pós-Guerra], os atuais são uma pálida insignificância. Na Alemanha ocupada, o dínamo económico do continente, o consumo de bens alimentares raiava o nível da fome e o rendimento nacional bem como a produção industrial eram pouco mais de um terço dos de uma década antes.
Cerca de 13 mil milhões de dólares foram investidos no Programa de Recuperação Europeia (nome oficial do Plano Marshall), o que se revelou indispensável para lançar as bases para o "milagre" do crescimento económico sustentado da década que se seguiu. Esse valor equivalia a cerca de 5% do PIB dos Estados Unidos, em 1948. (A soma equivalente para a UE, hoje, seria superior a 800 biliões de dólares – 552,5 biliões de euros.) Os EUA perdoram as dívidas francesas anteriores à guerra e todos subscreveram as de Berlim, alguns anos mais tarde, apesar de terem acabado de sair de uma guerra iniciada pelos alemães.

Marshall compreendeu que o real valor da ação decisiva que lançou não era quantitativo, mas psicológico. Só a confiança fornecida por uma liderança governamental poderosa, capaz de ver para além do momento presente, poderia tranquilizar os mercados. Tinha razão; o milagre económico que transformou a Europa deu-se graças a uma feliz combinação de empenho governamental no crescimento, e de investimento privado.
Os membros da classe política atual, na Europa, são herdeiros de Margaret Thatcher, não de George Marshall. Custa-lhes entender que os mercados precisam de ser salvos de si mesmos, se a Europa quiser sobreviver numa qualquer forma parecida com a atual. Esquecem-se de que a própria Alemanha viu as suas dívidas de antes da guerra canceladas, em 1953, uma condição prévia para sua expansão posterior;

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Pergunta tonta, mas nada inocente...

Por que não há, na zona euro, países protestantes a sofrer downgrades?

domingo, 10 de julho de 2011

Sair ou não sair, eis a questão

A gente está habituada à clivagem direita/esquerda. E, sabendo embora que nem tudo tem uma dimensão política que permita divisar com nitidez qual é o nosso campo, poderíamos pensar que em questões estritamente políticas se tem forçosamente que estar de um lado, do outro, ou instavelmente no meio.
Engano: Este assunto tem potencial para rasgar as pertenças, as crenças e as fidelidades; o texto parece-se muito com um manifesto. E, se fosse, não hesitaria em assiná-lo.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Crise do Euro: o essencial e o acessório

O Professor Daniel Bessa, na sua coluna semanal no Expresso, destrinça bem o essencial do acessório. O Euro é um projecto europeu de grande e inegável sucesso que, com toda a probabilidade, sobreviverá a esta crise financeira. As economias periféricas, mais frágeis, como a portuguesa (mas sobretudo a grega), querendo continuar a beneficiar do "euro-clube" têm de mostrar que estão disponíveis para fazer ajustamentos dolorosos.

Por isso, não nos percamos na "espuma dos dias". É pouco ou nada relevante quena Alemanha, alguém que quase ninguém sabe quem é e que não tem poder decisório ou de influência, saia a público para dizer que a Alemanha deve sair do Euro.

Um novo "New Deal"

Lembrando à Alemanha- de forma pouco subtil - que não foi punida pela Segunda Guerra Mundial, em que foi responsável pela morte de milhões de pessoas e destruição de vários países, a declaração conjunta de vários líderes europeus defendendo a existência de eurobonds merece ser lida:
«Many to most of its member states are deep in debt after salvaging banks. But the Union itself has next to none. Even with buy-outs of national debt since May last year, its own debt is under 1% of its GDP.
This is less than a tenth of the level from which the US issued bonds to finance the New Deal whose success gave it the confidence to fund the Marshall Aid which recovered Europe from WW2 and from which Germany was a key beneficiary
». (aqui o texto na íntegra)